terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Comunicação interna no Hospital Samaritano

Pessoal, feliz 2010! Depois das (merecidas) férias, nós voltamos cheios de energia para compartilhar novos conteúdos.

Para inaugurar o ano, acompanhe uma entrevista com Thais Catucci, analista de comunicação do Hospital Samaritano. O bom de conversar com a Thais é ver como o foco no cliente não escapa do discurso em nenhum momento. E faz toda a diferença.


Como está organizada a comunicação interna no Samaritano?
A Assessoria de Comunicação Corporativa do Hospital Samaritano de São
Paulo se reporta diretamente ao Superintende Corporativo. Na área trabalham 10 pessoas, sendo 2 terceiros da Assessoria de Imprensa (CDN). A Assessoria de Comunicação possui uma posição estratégica no Hospital - participamos do planejamento até a execução das atividades solicitadas.

Quais os principais desafios que enfrenta?
O desafio é manter todos os públicos do Hospital (médicos, colaboradores diretos e indiretos e voluntários) informados sobre a instituição. Além desse, posso citar a construção do Novo Complexo Hospitalar e o gerenciamento de crise institucional.

Quais os veículos utilizados?
Utilizamos diversos veículos, tanto para clientes como para os colaboradores. Temos o tradicional Mural, Jornal Mural, Líder em Ação (veículo estratégico voltado para gerência e lideranças), Médicos em Ação (veículo direcionado para médicos), Samaritano em Dia, AMA Faz, Portal Corporativo, além de sistema de TV informativa nos elevadores.
Nela, postamos mensagens curtas e objetivas para os nossos clientes. A periodicidade da maioria desses veículos é semanal, por aí você já pode perceber o volume de informação que nós temos. Também utilizamos fundo de tela do computador, banner, realizamos um café da manhã com o superintendente corporativo e colaboradores e médicos, dentre outras ações.

Quais parecem ter o melhor resultado e por quê?
Procuramos realizar pesquisas a cada dois anos para medir qual é o melhor resultado para os colaboradores. Na última pesquisa realizada em 2008 - realizaremos outra agora em 2010 - o mural continua sendo o veículo mais lido, até pela sua distribuição no Hospital que é bastante estratégica, pois fica próximo às áreas de café e entrada principal dos colaboradores. Ele é um veículo com linguagem fácil, objetiva e que todas as informações importantes da semana estão disponíveis nele. O nosso mural não é digital e sim impresso.

Em 2010, quais serão as prioridades para a comunicação com os colaboradores? Trabalharemos fortemente o "foco no cliente", visando reforçar a importância do gerenciamento do relacionamento com o cliente e o Jeito de Ser Samaritano que tem como foco a humanização na assistência, isso desde os seus primórdios. Queremos que eles entendam que isto impacta na satisfação dos clientes que é medida e é um indicador do BSC, afinal como diz a nossa visão: "Ser reconhecido pela sociedade como o hospital que supera as expectativas dos clientes", temos que sempre superar a expectativa do nosso cliente.
Além disso, teremos que preparar o lançamento do Novo Complexo Hospitalar previsto para o início de 2011.

O hospital investe em comunicação para liderança?
Isto é um assunto que temos trabalhado com o RH, pois sentimos esta necessidade, por isso em 2008 lideramos, em parceria com o RH, a criação do Comitê Gestor de Pessoas. Atualmente, temos a "Escola do Gestor", com aulas semanais com as lideranças na qual são abordados diversos assuntos, como forma de reciclagem e novos aprendizados.
Porém, as lideranças devem estar em constante reciclagem, até para não perder a "humanização" que tanto nós preconizamos. Além disso, procuramos com o Líder em Ação, veículo encaminhado todas as segundas-feiras para as lideranças, fazer com que reúnam seus colaboradores para transmitir informações mais estratégicas sobre o
Hospital e tirar dúvidas que possam surgir.

O Samaritano já trabalha com ferramentas 2.0? Como elas estão se saindo?
Ainda não entramos "de cabeça" na web 2.0. Primeiro, estamos estudando as ferramentas para analisar se é viável para o nosso mercado ou não. Muitas vezes, temos que analisar o que a ferramenta oferece tanto para o cliente quanto para a empresa, pois não adianta ir na "onda" e não estar preparado para responder prontamente. Na área da saúde temos um pouco mais de cautela, afinal estamos trabalhando com um assunto que é de interesse de todos, mas que exige cuidado e ética.

A equipe de comunicação recebe treinamento especial?
Quando se faz necessário, sim. Quando sentimos alguma dificuldade, procuramos participar de treinamentos ou cursos para dominarmos ou no mínimo entendermos sobre o assunto e utilizar aqui no Hospital.

A área faz planejamento e envolve outras áreas da empresa? Como se dá esse processo?
Sim, fazemos um planejamento anual que tem como foco as metas definidas no BSC (balanced scorecard), e envolvemos as principais áreas com quem interagimos durante o ano para fechar um plano de ação. Isto acontece no final de cada ano e sempre é validado pelas lideranças.

Quais são suas dicas para ter sucesso na estratégia de comunicação interna?
Eu citaria dicas que não são apenas voltadas para gestores de comunicação interna, mas acredito que para o profissional de RP:
1) Estar atento a tudo e a todos na Instituição
2) É impossível evitar a "rádio peão", portanto sempre procuramos estar próxima dela para antecipar as informações e não gerar ruído
3) Sempre acompanhar as novas ferramentas da web 2.0, mesmo que não utilize na empresa, mas é importante saber o que está rolando no mercado

Um case que eu gostaria de comentar é o lançamento em Agosto/09 da campanha chamada "O Jeito de Ser Samaritano". Tivemos um resultado bastante positivo entre os colaboradores. Fizemos fotos de colaboradores indicados pelos seus gestores e que preenchiam este jeito (havia um critério a ser cumprido) e eles foram os "modelos" da campanha. Para que os outros pudessem se espelhar neles.

Como em 2011 o Hospital Samaritano terá uma expansão, que chamamos de Novo Complexo Hospitalar (aproximadamente 600 vagas serão abertas), ficamos preocupados com que os nossos colaboradores perdessem a "humanização", reconhecida inclusive pelos clientes por meio de pesquisas. Tínhamos que reforçar a importância desta humanização em todos os sentidos (desde o trato com os colegas até o tratamento com os clientes, independente do seu nível hierárquico). Encerramos a campanha em Dezembro, porém no ano de 2010 teremos a manutenção dela, para que não caia no esquecimento. Envolvemos aproximadamente uns 100 colaboradores nesta campanha. Fizemos adesivos para elevadores, postais (com as competências corporativas indicadas pelo RH e que são avaliadas na Avaliação de Desempenho) para que as pessoas pudessem trocar entre elas - como forma de reconhecimento, emails mkt, hotsite, concurso de vídeos com a premiação revelada na festa de final de ano etc... Enfim, foi uma campanha que mereceu destaque no ano de 2009.

Vc tem alguma dica de curso, livro ou fonte de referência que gostaria de sugerir aos nossos leitores?
Ultimamente não tenho lido livros da área, apenas blogs / matérias na internet que comentam sobre mídias digitais, comunicação interna – (Thais é leitura assídua do nosso blog!). As informações se atualizam rapidamente, portanto procuro acompanhar sempre pela internet o que está rolando nas empresas ou sempre consulto a Aberje também para ver os cases premiados, isto é bem legal para troca de idéias/experiências.


Thais Catucci é formada em Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduada em Gestão de Marketing e Comunicação pela Universidade de São Paulo - ECA/USP. Nesse momento, está na Universidade da Flórida em mais uma atualização. Trabalhou por 3 anos na Voith Paper e assumiu o Hospital Samaritano há pouco mais de um ano.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Unimed e Bayer - conheça um pouco mais da comunicação interna dessas empresas

Para encerrar a cobertura da 3ª edição do seminário de Comunicação Interna realizado pelo IQPC apresentaremos dois cases de comunicação interna das empresas Unimed e Bayer, sendo que o primeiro tem foco em Comitê de Comunicação Interna e o segundo em Mensuração de Resultados. Confira:

Unimed: Com 11 anos no mercado. a Central Nacional Unimed possui 720 colaboradores, 820 mil clientes e 125 mil empresas clientes. A maior parte do seu público internos é formada por funcionários jovens.

Em 2002, a Comunicação Interna já exisitia na empresa, porém ainda estava em estágio de desenvolvimento. Sendo assim, muitos colaboradores enviam e-mail sobre diversos assuntos (inclusive formatações de mensagens coloridas, com desenhos...) para todos, o que acabava impactando na comunicação corporativa.

A empresa pensou em várias alternativas para padronização, porém foi em 2006, que este processo realmente aconteceu de forma efeitva. Todos os veículos de comunicação interna ganharam uma "cara única" e os funcionários foram estimulados a continuar indicando temas para divulgação, entretanto agora havia uma filtragem de Comunicação Interna, cujo intuito não era "proibir" que os temas fossem publicados, pelo contrário, eles selecionavam a melhor forma e mídia para que a mensagem fosse mais efetiva.

Esse processo continuou até 2008 quando eles perceberam a necessidade de envolver as pessoas na construção da Comunicação Interna. A partir desse objetivo foi aberto um recrutamento para os funcionários participarem do Comitê de Comunicação Interna da empresa.

A principio ele tinham o papel de levantar as informações do que estava acontecendo na companhia, bem como dar retorno sobre o clima, ajudando assim no melhor desenvolvimento da Comunicação Interna.

Como parte do resultado do trabalho desenvolvido, em 2008 o Comitê de Comunicação Interna foi citado durante a pesquisa "Melhores Empresas para se Trabalhar", do Guia Exame Você S/A, em que a Unimed entrou no ranking.

Bayer CropScience: Cláudia David, Gerente de Comunicação da América Latina da Bayer CropScience apresentou como a empresa utiliza a pesquisa para mensurar a Comunicação Interna, ajudando a demonstrar seus resultados e fazer com que ela esteja cada vez mais alinhada ao negócio.

Com 900 colaboradores, que atuam na fábrica, no campo e na sede administrativa, a Bayer CropScience tem como missão "desenvolver e implementar conceitos e ações integradas de comunicação, visando a divulgação da imagem da empresa no Brasil para os seus públicos prioritários".

Uma das formas de medirem o trabalho que realizam, bem como promover melhorias, a empresa aplica diferentes tipos de pesquisa. Para identificar quais atributos formam a imagem interna da organização eles utilizaram o "Método de Configuração da Imagem - MCI".

Através dos questionários foi possível levantar quais as ideias dos funcionários estavam mais ligadas à real imagem que a organização gostaria de ter e quais atributos definidos pela Bayer CropSciencesão mais lembrados pelos respondentes.

A partir dos resultados, foi possível identificar quais os gaps da imagem da organização e como a comunicação interna poderia contribuir com o processo, portanto, ela seria fundamental e estratégica para o negócio.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Comunicação Interna pautada a partir dos valores organizacionais


Presente em 100 países, o Grupo Accor atua no segmento hoteleiro e de serviços, com a marca Ticket (restaurante, alimentação, transporte, entre outros) e com a Build Up, voltada para serviços de Recursos Humanos.

Há 33 anos no Brasil, a filosofia da empresa sempre foi baseada em três pilares: Pessoas, Serviços e Geração de Valor para o Acionista. Segundo Eloá Ciraulo, responsável pela Comunicação Interna, a companhia entende que a soma entre razão e emoção resulta em lucro.

A partir desse conceito, todo o trabalho com o público interno baseia-se nos princípios da organização. Por ser uma multinacional, é comum que existam projetos mundiais que são compartilhados em todos os lugares onde a empresa está presente.

Um exemplo do grupo Accor foi o “Projeto Connect 2015”, cujo objetivo era trabalhar três importantes pilares para a organização: Vocação, Visão e Valores. Entretanto, na Accor do Brasil havia mais dois outros princípios que sempre foram difundidos que não poderia ficar de fora desse grande projeto.

Portanto, a equipe de Comunicação Interna adaptou o conteúdo e o material desenvolvido mundialmente, acrescentando os itens Valorização (Pessoas, Clientes, Acionistas e Comunidade) e Vontade Comum (força motriz que mantém o círculo virtuoso de crescimento).

Constata-se que quando uma empresa se preocupa em realizar todas as suas ações a partir dos valores da organização, a diferença é notória. Outro ponto é que por mais que uma empresa multinacional tenha um conceito global, muitas vezes ele precisa ser adaptado regionalmente, até para estar alinhado à cultura daquele determinado país. Caso contrário, corre-se o risco de se perder a essência daquilo que é construído na regional.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Como se processa a comunicação interna no dia dia-a-dia da organização


Há um mês nós publicamos uma entrevista do Carlos Parente e aqui vai novo post sobre ele, dessa vez repercutindo a apresentação “Como se processa a comunicação interna no dia dia-a-dia da organização” feita por ele no IQPC – certamente o ponto alto do primeiro dia do evento.

É fato que o mundo corporativo está mudando não apenas do ponto de vista de comunicação, com as novas mídias ou a mudança no perfil dos funcionários (que estão mais participativos e exigentes), mas também pelo controle mais rígido dos processos e a necessidade cada vez maior das empresas por adotar uma conduta ética e transparente.

Frente a essas mudanças, a comunicação interna não pode ficar estagnada. Segundo Parente, a comunicação com funcionários tem que evoluir e englobar não apenas a informação de determinado fato, mas também uma análise e opinião do tema. A organização deve, portanto, ter veículos que possibilitem aos funcionários receber a informação nessas três esferas.

Assim como ocorre com qualquer notícia não-corporativa, em que as pessoas, primeiramente, se informam sobre o fato (via internet, rádio ou televisão, normalmente), depois têm uma análise sobre o mesmo fato em jornais e, posteriormente, uma visão mais detalhada e opinião de personalidades relevantes sobre o mesmo assunto (em revistas semanais ou blogs autorais), deve ser a comunicação interna.

Para o executivo da Camargo Corrêa, o engajamento só acontece quando a mensagem é “internalizada”. E a disseminação efetiva da mensagem tem de levar em consideração alguns pontos importantes como o perfil do público, a seletividade e a atratividade da informação. Além disso, identificar formadores de opinião e disseminadores de informação dentro da companhia dá muito mais força para a comunicação interna.

Parente concluiu com algumas observações muito bacanas. Todo comunicador é um educador e a comunicação interna efetiva deve não apenas informar os colaboradores, mas também formá-los e transformar suas atitudes. E, para tudo isso, é preciso de um time (incluindo fornecedores) com competências complementares.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Watson Wyatt mostra tendência de comunicação para 2010

Gostei deste texto da HSM, que reproduzo na íntegra.

Um estudo global, conduzido pela consultoria Watson Wyatt, consolida a idéia de que as redes sociais são muito mais abrangentes do que o uso em propaganda e promoções. De acordo com a pesquisa Communication ROI, 65% das empresas planejam utilizá-las para melhorar seus processos internos de comunicação já em 2010.

O levantamento foi feito com 328 companhias de vários países e os resultados mostram que as empresas estão em pleno processo de melhorias de suas plataformas eletrônicas de comunicação. Cerca de 78% delas melhoraram suas infraestruturas nos últimos 24 meses, 55% implantaram programas de comunicação face-to-face e 48% buscaram formas de diminuir os memorandos e relatórios impressos.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, é natural que essas companhias procurassem inovações ainda maiores para redefinir a forma como se comunicam internamente. Para Kathryn Yates, consultora da Watson Wyatt, os empregados mostram necessidades novas de adequar suas agendas e afazeres de acordo com as mudanças rápidas de mercado e as empresas estão explorando as redes sociais como uma nova fronteira nesse sentido.

Atualmente, vivemos uma fase intermediária entre as antigas plataformas de comunicação interna e as novas, baseadas nas novas mídias. Embora haja muito interesse e isso deva se consolidar já no próximo ano, por enquanto há desafios a serem resolvidos. Muitos pesquisados apontam dificuldades na implementação dessas novas mídias. Há problemas técnicos ou de usabilidade para 36%, outros 40% reclamam de falta de conhecimento sobre os tópicos e 45% das empresas sentem falta de participação maior dos funcionários nas mídias sociais implantadas internamente.

Nesse retrato atual, os meios internos de comunicação permanecem mais populares. As reuniões de grupo são preferidas para 73% e outros 43% ainda preferem a intranet do jeito que está. O estudo completo pode ser conferido no site da Watson Wyatt.

Gilberto Pavoni Junior para o IT Web
HSM Online11/12/2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Livro analisa as melhores práticas em comunicação interna

Será lançado, no dia 14 de dezembro, o livro ‘Por dentro da comunicação interna’. A publicação, da editora Champagnat, foi organizada por Charbelly Estrella, Ricardo Benevides e Ricardo Freitas, e é dividida em duas partes.

Na primeira, o leitor tem à disposição uma análise de como os aspectos contemporâneos interferem no relacionamento com o público interno e que papéis são desempenhados pelos colaboradores nesse novo contexto. Ética, cultura organizacional e modelos de gestão também são destacados.

Na segunda parte do livro, são apresentados artigos com as melhores práticas das organizações, seja na promoção de eventos ou em abordagens sobre a interface da comunicação interna com o marketing e no auxílio à gestão de mudanças.

Charbelly Estrella é mestre em comunicação e cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Estácio de Sá (Unesa-Rio) e relações públicas da Diretoria de Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Ricardo Benevides é mestre em literatura brasileira e doutorando em literatura comparada pela Uerj e professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). Também é colunista do Nós da Comunicação.

Ricardo Freitas é doutor em sociologia pela Sorbonne e graduado em comunicação social pela Uerj. É professor adjunto da Faculdade de Comunicação e pesquisador associado do grupo de pesquisa Comunicação, Arte e Cidade, ambos da Uerj.

SERVIÇO:
Investimento: R$ 30
Editora: Champagnat
Páginas: 224

Fonte: Nós da Comunicação

domingo, 6 de dezembro de 2009

Gestão 2.0 na Comunicação Interna, por Claudio Terra


Claudio Terra, presidente do TeraForum Consultores – empresa especializada em gestão do conhecimento e da inovação, portais e ambientes colaborativos e comunicação interna – também marcou presença no Seminário. Sua apresentação tratou da gestão 2.0 no mundo corporativo (aliás, tema de um livro recém-lançado) e de 12 passos fundamentais na implementação dessa nova visão.

Ao nosso blog, Terra deu uma entrevista exclusiva.

Todos falamos hoje da oportunidade que as ferramentas de colaboração apresentam às empresas e à comunicação interna. Porém, elas se aplicam a qualquer tipo de empresa?
Sim. Com certeza. A colaboração é processo inerente a empresas de todo porte. O ponto aqui, que se torna oportunidade, é utilizar as ferramentas colaborativas para atingir objetivos e facilitar a rotina da empresa, sejam condizentes a realidades mais simples ou mais complexas, a citar: criar um ambiente específico para agilizar um projeto de curto prazo, construir conteúdos, recrutar e desenvolver profissionais, potencializar os processos de inovação, transformar culturas organizacionais, facilitar processos de fusão e aquisição, dentre outros.

Perceba que há aqui uma grande oportunidade para a comunicação interna, mas que demanda uma mudança de modelo mental de seus profissionais. Para que, de fato, as ferramentas de colaboração sejam aplicadas como solução nas empresas e gerem valor, deve-se partir de uma análise mais ampla da realidade e necessidades da empresa, para depois pensar nas opções de ferramentas e priorizar as implantações.

Que exemplos bem-sucedidos você conhece da aplicação dessas ferramentas em comunicação interna?
Uma das maiores empresas do mundo, que infelizmente não podemos citar o nome ainda, está customizando aqui no Brasil o SharePoint para torná-lo uma verdadeira ferramenta social. Mais do que o “tradicional” conceito de comunidades, a empresa está implementando algo muito parecido com Orkut, Linkedin e Facebook na empresa, estimulando seus milhares de funcionários espalhados pelo Brasil a publicarem seu perfil, suas próprias notícias e compartilhá-las com suas redes de colegas, enfim, sua rede social.

O blog do presidente da empresa tem sido uma iniciativa de sucesso para comunicação interna em organizações no Brasil, como HSBC, Citibank e Syngenta. O canal permite a interação entre líderes e demais funcionários, através de comentários e discussões sobre temáticas relevantes para a organização. Blogs de lideranças trazem bons resultados de alinhamento organizacional, em especial, quando há mudanças estratégicas e culturais.

Wikis também têm sido utilizados por uma série de bancos como Banco Real, HSBC e Unibanco para o compartilhamento e produção de conteúdos.

Qual ferramenta é mais difícil de 'pegar' e por quê?
Não há como afirmar que uma ferramenta “pega” mais do que a outra. Podemos afirmar que há ferramentas mais aderentes a necessidades organizacionais do que outras. Como exemplo, temos o Blog do Presidente HSBC, uma iniciativa que obteve resultados fantásticos no reposicionamento estratégico e cultural do banco, junto ao público interno, na pós-fase de aquisições da instituição.

Contudo, é certo que toda ferramenta colaborativa tem mais probabilidade de ter sua eficácia comprometida, se a etapa de planejamento não acontecer, devidamente. Há, ainda, um cenário muito comum nas empresas: muitos ambientes digitais colaborativos são muito bem concebidos, mas “morrem”, demoram a “pegar” ou não “pegam”, porque o trabalho após o lançamento é esquecido. Deve-se ter em mente que os ambientes colaborativos empresariais, voltados para o público interno, externo ou misto, necessitam de “equipes guardiãs e interdisciplinares” que garantam a atualização, manutenção e acompanhamento do mesmo, segundo as diretrizes do planejamento. E, caso os objetivos não estejam sendo atingidos, devem atuar fortemente nas ações de contingência.

O fato é que não há receita de bolo e, muito menos, como fazer uma análise isolada e meramente ferramental. “Pegar” ou “não pegar” é uma questão de gestão!

Quais são as maiores vantagens da web 2.0 no exercício da liderança? A experiência de vocês diz que em geral a liderança está preparada para lidar com essa fase mais democrática da informação?
Realizamos uma pesquisa apurada para nossa mais nova publicação – Gestão 2.0 – e nos deparamos com duas realidades: diversas empresas globais já tornaram realidade a utilização da Web 2.0 para melhorar a produtividade de seus processos e a forma de seus funcionários trabalharem. Por outro lado, percebemos que algumas não estão preparadas para implantar modelos de negócios colaborativos, pois ainda vivenciam práticas de liderança engessadas por comportamentos controladores e ameaçadores.

Mas as empresas que já adotam iniciativas colaborativas no exercício da liderança caminham para uma vantagem competitiva importante: o capital de relacionamento, voltado à reputação, confiabilidade e gestão de redes. As principais contribuições da utilização de ferramentas Web 2.0 no exercício da liderança são:
- maior velocidade na geração de conteúdo para comunicação da liderança;
- maior interatividade e transparência na comunicação, com a publicação de comentários;
- minimização das barreiras entre lideranças e demais funcionários da empresa;
- diversidade de canais no mix de comunicação, possibilitando a criação de meios mais dirigidos;
- alinhamento estratégico, cultural e institucional;
- mensuração quase imediata das ações tratadas no ambientes colaborativo.

Importante. Um desafio que precisa ser enfrentado e que tem participação crucial das equipes de comunicação interna é a sensibilização e orientação da liderança quanto a sua dedicação e comprometimento para o sucesso da iniciativa.


Vocês têm grande experiência em portais corporativos. Quais são os erros mais comuns? Como começar um projeto para ter mais chance de sucesso?
Os principais “tropeços” recaem ainda na fase de planejamento e na gestão de mudanças. E aqui não falamos da técnica de planejamento e sim da visão sistêmica necessária para executá-lo.

É comum, durante o planejamento, as as envolvidas no projeto deixarem de contemplar e, principalmente, envolver profissionais que: 1. Potencializarão a adesão do ambiente ou 2. Poderão ser tornar barreiras durante a sua implantação e consolidação. Outro ponto usual “escorregadio” é a fase de definição de escopo. Muitas empresas não têm muito claro quais as propostas de valore quais os segmentos internos prioritários de funcionários a serem beneficiados pelo portal corporativo. Nest mesma linha, a decisão sobre a introdução de funcionalidades não é planejada e escalonada de forma a atender as propostas de valor estabelecidas. Como consultoria especializada, temos muito a contribuir nesta etapa, mas o trabalho deve ser realizado a quatro mãos.

Há, também, o pecado da Gestão de Mudanças que, geralmente, configura-se pela falta dela. Avaliar os impactos nos processos, estrutura, tecnologia e, principalmente, em pessoas, para prover ações sistematizadas que possam mitigá-los nem sempre acontece desde o início do projeto. Os sintomas desse “lapso” são percebidos logo na implantação e, também, no pós-lançamento.

Portanto, para que uma iniciativa dê resultado, em qualquer empresa, torna-se condição sine qua non um trabalho prévio de planejamento estratégico, definição de governança (quem faz o quê, como e quando), políticas e metas, bem como uma postura de aprendizado contínuo, especialmente, ouvindo todos os envolvidos.


Quais os maiores benefícios da plataforma SharePoint?
A principal vantagem que o SharePoint traz às empresas que o utilizam é a possibilidade de uma gestão integrada dos ambientes digitais, dos mais ao menos complexos. Sua robustez possibilita começar um ambiente colaborativo com poucas funcionalidades e ir crescendo ao poucos.

A plataforma “conversa” com aplicativos do Windows, como Office, Microsoft Outlook, MSN, ampliando as oportunidades de interatividade e agilidade no fluxo de informações. Seu atributo de segurança da informação, a partir da gestão dos permissionamentos, é um dos pontos altos da plataforma, bem como suas funcionalidades: biblioteca virtual, gestão de conteúdo e documentos, blogs, fóruns, comunidades e busca. Sua interface é altamente customizável e a interação do usuário e administrador ou gestor do ambiente se dá de forma mais intuitiva.

Quando falamos em participação, envolvimento, via de mão dupla, fica evidente o retorno possível para a criação de conhecimento, idéias novas, algo por ventura sem precedentes, portanto, algum aspecto da inovação. As equipes de comunicação têm trabalhado nessa linha, ou seja, usado comunicação interna pela web 2.0 para promover inovação ou isso ainda vem sob um a demanda de outras áreas da empresa, como marketing?
É comum as áreas de comunicação interna ainda enxergarem os ambientes Web 2.0 como plataformas meramente informativas. Em outros casos, são utilizadas como via de mão dupla, o que ainda não caracteriza a colaboração em rede. Se formos refletir sobre a teoria da via de mão dupla, os sites informativos podem ser caracterizados como veículo digital de mão dupla, pois disponibilizam um canal Fale Conosco. Concorda? Todavia, muitas das demandas de soluções colaborativas, com ferramentas Web 2.0, chegam das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento e Marketing, que as percebem como ambientes que promovem respostas rápidas aos seus processos.

Há ainda na ponta mais inovadora o uso das ferramentas da Web 2.0 segundo o conceito de Crowdsourcing, no qual as ideias de todos os funcionários são colocadas para debate e apostas por todos e selecionadas por todos, modificando ou complementando a lógica tradicional do funil, gates e comitês de inovação.

Então, o grande desafio nesse cenário cibercultural é mudança na atuação das equipes de comunicação interna, de forma a se tornarem mais gestoras, orientadoras e inspiradoras, para que planejem e proponham soluções colaborativas em rede, enxergando a conectividade entre e para com os stakeholders, pesquisando as suas necessidades e, enfim, definindo a forma mais adequada de relacionamento para o alcance dos objetivos empresariais traçados com a iniciativa.

Contatos, please, para quem se interessou por esses 5 minutos de prosa!
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